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© outro lado da luz

temporadas com dez capítulos de dois minutos cada.

© outro lado da luz

temporadas com dez capítulos de dois minutos cada.

© os Scott e a tribo #3

os Scott e a tribo(capítulo #2)

o maridão chegou com o pôr-do-sol. vinha radiante. os exames provavam que o pai dele estava curado. Penny sorria feliz por o sogro estar livre da medicação e, de repente, começou a chorar. Phil segurou-lhe o rosto, secou-lhe as lágrimas e disse: a solução proporcionou-se. fui convidado para dar apoio no hospital como cirurgião, dois dias por semana. nem preciso de procurar casa! tenho um quarto sempre disponível perto do bloco operatório. e o salário é principesco. podemos abrir uma conta para os estudos das nossas crias. por falar nos nossos filhotes, corou Penny, tudo indica que acabámos por conceber mais um! Phil ergueu-a no ar e rodopiou de alegria. tenho tanto orgulho em ti! exclamou. papá! papá! também quero rodopiar no ar! pediu Aurora. a mãe fez voar Santiago e o pai concretizou o pedido da filha. apagaram as luzes no crepúsculo e deitaram os filhos, um de cada lado do quarto. deitaram-se no meio e ficaram a fazer planos para o futuro em voz baixa. a presença dos pais ajudava Aurora e Santiago a adormecer. Penny actualizou Phil quanto ao sucesso dos grafitti daquele quarto e os planos que daí adviram. o maridão disse: vamos já escrever a pedir o subsídio à UNESCO. sentaram-se ao computador e continuaram a conversar baixinho e a namorar. Ulisses saiu da sua casota e foi visitar Nala e as crias. as guerreiras compreenderam que ele se sentiria perdido sem a sua tigresa. decidiram não deixar as crias interagir tanto com os humanos, para quando tivessem um ano de idade as libertarem na savana. Phil e Penny deitaram-se. passada uma semana, a UNESCO enviou dezenas de latas de tinta, mas não contribuiu para o reconhecimento do trabalho dos jovens. a sogra de Penny colmatou a falha com uma quantia generosa para cada um. além de fazer a tribo feliz, estava a ensinar-lhes a não se desvalorizarem por nenhum trabalho e disse-lhes para aproveitarem estas primeiras obras para construir um portfólio do trabalho da equipa. ela já lhes tinha começado um site, com fotografias da obra de arte na entrada de sua casa, a obra realizada, passo a passo, e igualmente a magia que é o quarto das crianças Scott. os jovens disseram-lhe que não sabiam dar continuidade ao site e a mãe de Phil sorriu e disse que tratava dessa parte. o site ainda não estava online, só depois da escola e do dormitório das guerreiras serem pintados. ela tinha o projecto de os fotografar um a um com um pequeno texto de apresentação. o site não tinha localização pois nenhum de nós queria atrair turistas e curiosos. a tribo não estava aberta ao público. e era pré-pagamento consoante os metros quadrados em causa. os jovens artistas ficaram ainda mais entusiasmados quando a minha sogra disse que tratava de encomendar as latas necessárias. tinham de aprender as quantidades que cada projecto exigia, isso só eles o podiam fazer.

(continua)

© os Scott e a tribo #2

os Scott e a tribo(capítulo #1)

Penny olhou para os olhos da lebre e sentiu um aperto no estômago. era vegetariana, mas na selva come-se o que há. entrou em transe e pediu a uma das anciãs para arranjar a lebre para eles comerem à noite. uma das guerreiras disse que as anciãs estavam a descansar e que ela a ajudava. a cozinheira começou a preparar a marinada, não podia deixar a lebre na banca da cozinha, para ir à horta, pois desapareceria num ápice. a guerreira chegou, segurou-lhe as mãos e lembrou-a que as únicas vezes em que animais mortos a tinham perturbado era quando estava grávida. Penny começou a chorar em silêncio. a companheira quis saber porquê, entraram em transe para conversarem mais à vontade. a xamã partilhou a conversa que tivera com a sogra antes desta ir ter com os netos ao quarto novo. sentia-se tão egoísta. as anciãs apareceram na roda à volta da fogueira e disseram que tinha sido um teste e que ela tinha superado as expectativas, pois no seu coração já tinha a vida toda decidida sem Phil, para ele poder exercer a sua mestria. a guerreira segurou-lhe nas mãos, despertando-a do transe, sorriu e exclamou: quando o maridão chegar ele traz a solução. deixaram a carne a marinar no frigorífico e juntaram-se à sogra e às crianças embaladas pela história que a avó continuava a contar apesar de saber que eles estavam a dormir. quanto à necessidade de deixar a carne a marinar, era a maneira de não cativar o paladar dos animais da selva. tinham tentado amarrar o frigorífico com cordas e nós complexos, mas os macaquinhos desatavam tudo. tentaram então fechar a porta com um cadeado, mas com pedras os malandrinhos rebentavam tudo. no entanto, desde que começou a fazer marinadas com ervas de cheiro e especiarias, nunca mais apareceu nenhum pilantrinha. a guerreira ficou fascinada com o quarto das crianças, exclamou: parece tudo tão real! têm que pintar a sala de aula! Penny anuiu com entusiasmo: acho que consigo o patrocínio da UNESCO. vou perguntar aos rapazes o valor da obra na escola e no vosso dormitório, acrescentou a professora. os olhos da guerreira sorriram como duas estrelas radiantes. a sogra acrescentou: e se a UNESCO não patrocinar, eu ofereço-o. como prenda? perguntou a jovem de olhar luminoso. como prenda, com toda a certeza. a guerreira saiu a correr de casa dos Scott e pouco depois vieram todas apreciar o quarto das crianças. todas concordaram com a companheira: queriam o dormitório pintado. e se havia a certeza de que se tornaria realidade, começaram a fazer a lista dos animais de poder que gostariam de ver representados. Penny abraçou a sogra e agradeceu-lhe todo o carinho e mimo com que presenteava a tribo.

(continua)

© os Scott e a tribo #1

os Scott e a tribo© os Avós e o Natal #1

por mais que Penny quisesse dormir com a sogra e os filhos, tinha de ficar perto de Ulisses para ele não cirandar pela aldeia. para tornar a noite útil, entrou em transe para conversar com a mais velha de todos. tinha saudades da serenidade da anciã. ela apareceu mas disse-lhe que só podia ficar se ela quisesse aprender algo novo, que ainda estavam a cicatrizar o corpo emocional do pai de Phil. Penny pediu desculpa, beijou as mãos da mãe e disse, vou ter com Phil. o maridão estava no meio de uma cirurgia, sentiu-a entrar mas pensou que eram as saudades a falar mais alto. Penny ficou por uns instantes a observar os curadores do outro lado do véu a trabalharem em conjunto com a equipa médica. antes de voltar ao seu quarto, segredou ao seu amor: descansa, não faças o turno da noite. amanhã quero-te inteiro. Ulisses esperava-a com a cabeçorra apoiada na cama. por mais que adorasse a companhia do seu menino gato, ele tinha de se habituar a dormir na casota, sem excepções. acordaram com a alvorada. cada um na sua cama. o tigre deu um bocejo enorme, como quem diz: vou à caça. olhou para ela e Penny bocejou de volta: vai à vontade. pouco depois começaram a ouvir-se as vozes das crianças. a sogra e os netos vieram tomar o pequeno-almoço com a mãe. hoje era pão e manteiga caseiros, chá de hortelã e limão bem fresco. falaste com Phil, perguntou a avó. fui ter com ele quando me deitei, estava a operar. ao entardecer ligou para dizer que só voltam hoje e estava tão feliz por ter passado o dia no bloco operatório. a sogra riu: ser cirurgião é o que ele mais adora. Penny sentiu um murro no estômago quando lhe ocorreu que, talvez Phil não se sentisse realizado com a perspectiva de viver na aldeia para sempre. ela agora era a xamã, não podia partir sem uma substituta escolhida pelas anciãs, e ele era um excelente cirurgião com um potencial tremendo. a sogra não viu o efeito que as suas palavras tiveram na nora, pois Aurora descobriu o quarto novo e chamou-a entusiasmada. a avó estava deslumbrada com o quarto das crianças. as boas-vindas pintadas na sua porta eram magníficas, mas este fundo do mar era mágico. entretanto, Ulisses voltou da sua caçada. a barriga bamboleava de tão cheia e ele chegou sonolento, mas trouxe uma lebre para os Scott comerem. Penny agradeceu-lhe a cortesia, certificou-se que a carne estava quente e bocejou em agradecimento. o seu menino gato deitou-se à fresca na casota e começou a ressonar baixinho. a humana foi para a cozinha tratar de tornar a lebre comestível para o jantar. a avó estava a contar uma história inspirada naquele fundo do mar deslumbrante, que tinha corais, cardumes de peixes pequeninos e multicolores, dragões marinhos, estava repleto de pormenores que pareciam reais. 

(continua)

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